Como saber se você já está em uma união estável (mesmo sem perceber)

Você apresenta essa pessoa como marido, esposa, companheiro? Sua família já trata vocês como uma família formada? Vocês planejam moradia, filhos e finanças como se fossem um só? Se a resposta foi sim para pelo menos uma dessas perguntas, pode ser que você já esteja em uma união estável e ainda não saiba disso.

Assista ao vídeo completo abaixo, onde explico os mitos, as verdades e os riscos reais de não formalizar essa situação:

Existem dois mitos que atrapalham muita gente. O primeiro é achar que só existe união estável depois de um ano de relacionamento. Não existe prazo mínimo nem máximo: o que importa é o objetivo de constituir família, não o tempo de namoro. O segundo mito é achar que morar junto é obrigatório para configurar a união. Não é. Coabitação é só um indício, não um requisito. O que realmente define a união estável é a convivência pública, contínua, duradoura e com o propósito de formar uma família.

O problema é que, mesmo existindo de fato, a união estável sem documento é difícil de provar. E é exatamente aí que moram os riscos que mais aparecem no escritório: filhos de outro relacionamento tentando excluir a companheira do inventário; o INSS negando pensão por morte por falta de comprovação formal; e um dos ex-companheiros tentando tirar um bem da partilha alegando que foi comprado antes do início do relacionamento. Três situações que uma escritura pública em cartório evita, porque nela o casal já define a data de início da união e o regime de bens.

Se você já regularizou (ou pretende regularizar) a união estável, vale entender também as implicações patrimoniais, já tratamos disso com mais profundidade em União estável: o que a pessoa amada tem direito sobre seus bens mesmo sem casamento e em Quais os riscos em não regularizar a União Estável?.

Sobre a comprovação de união estável para fins previdenciários, o próprio INSS já publicou orientação oficial detalhando os documentos aceitos e o prazo mínimo de convivência exigido para a concessão da pensão por morte confira aqui.

A união estável é um instituto bonito, porque reconhece a família independente de papel. Mas os seus direitos precisam de prova. O custo do cuidado é sempre menor do que o custo do reparo.

Este artigo tem fins informativos e não substitui a consulta com um profissional especializado. Se precisar de auxílio jurídico, pode entrar em contato pelo whatsapp.

FAQ: Perguntas Frequentes

Como provar a união estável se ela não foi formalizada?
Na ausência de escritura pública, a prova depende de provas indiretas, como contas conjuntas, declaração de imposto de renda com dependência mútua, fotos, testemunhas e outros documentos que demonstrem a convivência. Por isso a regularização evita a necessidade de provar tudo isso judicialmente, muitas vezes em um momento de luto ou conflito e com um processo longo.

A união estável dá direito à herança?
Sim, o companheiro sobrevivente tem direito a receber herança ou meação, mas sem documentação prévia essa condição frequentemente precisa ser reconhecida judicialmente antes de garantir acesso aos bens como já explicamos em A importância de regularizar sua união estável para garantir seus direitos em caso de falecimento.

Dá para escolher o regime de bens na união estável?
Sim. Por meio de escritura pública, o casal pode escolher o regime de bens que vai reger a relação. Se não escolher, aplica-se automaticamente a comunhão parcial de bens, que tem regras próprias e pode surpreender quem não conhece os detalhes. Nesse vídeo você tem mais informações sobre os regimes de bens

Este artigo tem fins informativos e não substitui a consulta com um profissional especializado.

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